O clima de dia dos namorados se aproxima e com ele muitas reflexões a respeito do real sentido de se compartilhar a vida, os segredos, as alegrias e as tristezas com alguém que vibre na mesma frequência, que sinta e se permita de forma similar a nossa em relação aos chamados do coração para a felicidade interior, para uma meta que é introspectiva e que pode ser libertadora.
Quando caminhamos de mãos dadas rumo a um mesmo propósito, não podemos deixar de avaliar o que almejamos mais: desfrute pessoal, controle, suportes para nossas emoções ou força para compreendermos e caminharmos na jornada da vida conscientes de seus reais motivos de ser?
Não é de se estranhar que os relacionamentos mais duradouros com os quais venhamos a nos deparar nada mais são do que frutos de um investimento lento e gradual em sincero amor e confiança. Sem colocar-se no centro, sem querer o outro para si, mas sim para doar-se e servir, inspirar resiliência e, por que não, devoção.
A cada dia aumenta o número de divórcios, cujas justificativas permeiam a falta de tempo para cuidar do outro e de si, seguida da consequente infidelidade. Lágrimas e frustração consomem ainda mais este tempo – que é precioso –, até que uma cura que só ele traz surja para novos equívocos se concretizarem.
O sábio poeta e escritor Khalil Gibran instrui que o amor basta-se a si mesmo, que conhecer sua dor é sentir ternura demasiada, compreendê-lo é ferir-se, é render-se, é se desfazer das máscaras e não ter outro desejo senão atingir sua plenitude.
Aqueles que a alcançaram certamente comprovaram que o amor neste mundo nada mais é do que uma tentativa de se ilustrar o amor da alma por Deus. Um amor livre, ininterrupto, que flui como um riacho que entoa uma bela canção para a noite.
Que nossas relações sejam pautadas pelo intuito de construir e fortalecer vida espiritual, um ao lado do outro, resolutos e determinados em cultivar sempre, a cada dia mais, o amor puro por Deus. Esta semente já está dentro de nós. Apenas nos esquecemos de adubá-la e cultivá-la com a rega do conhecimento transcendental, derramado generosamente por grandes mestres e exemplos de renúncia que por aqui passaram.

 

“Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.” – Khalil Gibran, “O Amor”